Black Alien está de volta!

Mister Niterói está na área! “Terra”, faixa de Babylon by Gus Vol. 2 – No Princípio era o Verbo, já está no YouTube:

Depois de 10 anos do seu disco de estréia, o novo disco promete. Fiz uma matéria para a revista Rolling Stone, que acabou caindo. Então, segue por aqui:

Babilônia, 10 anos depois

Black Alien grava o segundo volume do clássico álbum de 2004

Disco: Babylon by Gus Vol. 2 – No Princípio era o Verbo
Lançamento: dezembro

Em 2004, Black Alien lançava Babylon By Gus Vol. 1 – O Ano do Macaco, considerado um dos melhores discos de rap da década passada. Agora, 10 anos depois, o rapper se une ao produtor Alexandre Basa – o mesmo do trabalho anterior – para gravar a continuação da história. “É a mesma vibe e a mesma forma de trabalho do Vol. 1. O Black ouve praticamente as mesmas coisas que ouvia há 10 anos, tem as mesmas referências. A diferença é que hoje sou um produtor mais preciso e sei tirar o máximo do meu estúdio, sem ficar experimentando muito”, afirma Basa, que mostrou sete faixas do novo trabalho para a reportagem da Rolling Stone. “Terra” foi escrita e gravada em Itamambuca, litoral norte de São Paulo. Black havia acabado de sair da reabilitação (sua 8ª internação) e gerou uma mistura entre reggae e rap, bastante presente no disco. Já “Somos o Mundo” traz o conceito de bossa-rap. “O Black queria algo que fosse muito brasileiro, mas a ideia era fugir do samba-rap. Criei uma base totalmente inspirada em Tom Jobim”, disse o produtor. Nela, Black Alien rima sobre o amor acompanhado de um piano bem bossa nova. A faixa ainda vai receber a voz da cantora Céu.

As outras faixas, ainda sem nomes definidos, trazem misturas entre o rap e música eletrônica (numa delas, teclados de trance music são responsáveis por criar toda a ambientação, mas sem desvalorizar o rap e a base para Black Alien rimar), e até o tão atual trap. Além da Céu, outros nomes devem participar do disco: Luiz Melodia, Kamau, Parteum (estes dois numa música-celebração ao skate), Flora Matos (num ragga) e Seu Jorge.

Babylon by Gus Vol. 2 – No Princípio era o Verbo foi financiado por crowdfunding e o lançamento já foi adiado algumas vezes. “A ideia agora é dar esse disco de presente de Natal para os fãs do Black”, confirma Basa.

Leia e ouça Babylon By Gus Vol. 1 – O Ano do Macaco

Uma hora de sons instrumentais para você cantar junto

Playlist montada no Spotify, ouve aí:

30 anos da saga Loucademia de Polícia

Em 1984 chegava aos cinemas o primeiro filme da série Loucademia de Polícia. O sucesso foi tanto que a ideia se tornou uma franquia: gerou outros seis filmes para o cinema, um desenho animado e uma série de TV. Claro que como todo nome que gera tantos produtos, ele acabou perdendo a força com o tempo e com os malabarismos que se tem que fazer no roteiro para que situações não se tornem repetitivas. O 7º filme da série, por exemplo, é irreconhecível tanto pelo elenco reduzido quanto pela história. O uso excessivo de dublês, algo que vem num crescente desde o 4º filme, descaracteriza a franquia e valoriza malabarismos desnecessários.

Mas a ideia aqui não é falar dos filmes em si, mas sim dos personagens que marcaram uma década e que ajudaram a firmar esse humor típico da época: meio pastelão (com trombadas, explosões, pegadinhas dos mais diversos tipos… só não tem torta na cara), meio non sense. São 13 artistas que aparecem em alguns dos sete filmes:

Steve Guttenberg
Mahoney

Era um dos galãs dos anos 1980. Participou dos quatro primeiros filmes da Loucademia e ainda de Cocoon (1 e 2) e Três Solteirões e um Bebê (alem da sequência Três Solteirões e uma Pequena Dama, de 1990). Ou seja, o cara participou de pelo menos três franquias que se tornaram cult e foi figurinha garantida em muitas sessões da tarde. Mahoney era um típico malandro antes de se tornar policial nas mãos de Lassard, mas não perdeu o senso de oportunidade depois de passar pela academia. Como bom galã, é o personagem que costuma se dar bem no final e trazer algumas das soluções para os problemas enfrentados pela equipe de policiais. Um fato curioso sobre Guttenberg: ele fez teste para o papel principal de Quero Ser Grande e Tom Hanks fez teste para ser Mahoney. Além disse, reza a lenda (vulgo IMDB) que Guttenberg rejeitou o papel de Peter Venkman em Os Caça Fantasmas, lançado em 1984. Peter foi interpretado por Bill Murray.

G.W. Bailey
Capítão Harris

É o grande “vilão” da Loucademia. Capitão Harris está no 1º, 4º, 5º, 6º e 7º filmes com uma única preocupação: destronar o Comandante Lassard. No sexto filme, por exemplo, Harris está em outro distrito e diz logo no começo do filme que está feliz por estar longe de Lassard e sua equipe. Mas o prefeito da cidade pede reforço para resolver um grande problema e quem chega para auxiliar é justamente… Lassard. Bailey tem um grande histórico no teatro e em séries de TV antes de estrear no cinema em 1979 num filme de Chuck Norris, o Força Destruidora. Curiosidade: apesar de não-creditado, Bailey está também no Loucademia 2. Ele está no casamento que encerra o filme e aparece de costas posando para o fotógrafo. Deve participar do filme One Heart (ainda sem nome em português), que está em fase de pós-produção.

Bubba Smith
Moses Hightower

Com 2,01 metros de altura, Bubba atuava como jogador de futebol americano antes de partir para as telas. Jogou pelo Baltimore Colts, Oakland Raiders e Houston Oilers até 1976. Depois fez pontas em séries como Mulher Maravilha e As Panteras. Mas o personagem mais notório da sua carreira foi, claro, Moses Hightower, um policial com fala mansa (ele era florista antes de entrar para a academia) mas uma força descomunal. Nas cenas, quase sempre é escalado como parceiro da sargento Hooks. Bubba faleceu em 2011 aos 66 anos e só não participou do 7º filme da série.

George Gaynes
Commandant Lassard

Um dos três atores que participou de todos os filmes da série Loucademia de Polícia. Gaynes é outra figurinha fácil da TV nos anos 1980: ele era o viúvo que adotou Punky, a garota protagonista da série Punky Brewster (Punky, A Levada da Breca no Brasil). Lassard é um tipo infantil, atrapalhado e que sempre se envolve em situações inusitadas. No sétimo filme, por exemplo, ele se perde da equipe da Loucademia que vai para a Rússia e acaba parando na casa de uma família local – uma família de verdade, encontrada pela produção do filme. Gaynes tem mais de 80 trabalhos no cinema e na TV, se aposentou em 2003 depois de fazer Recém-Casados (longa com Ashton Kutcher e Brittany Murphy) e morreu aos 98 anos em fevereiro de 2016.

David Graf
Tackleberry

Graf é outro ator que participou de todos os filmes da franquia. Ele faz Tackleberry, que brinca com o estereótipo do norte-americano armamentista. No primeiro filmes, antes mesmo de entrar para a academia, Tackleberry já aparece todo paramentado de militar e cercado de armas. É um selvagem que vai sendo, digamos, lapidado. Graf morreu em 2001, aos 50 anos.

Leslie Easterbrook
Sgt. Callahan

Leslie participa de quase todos os filmes da Loucademia – com exceção do 2º. Ela brinca com outro estereótipo norte-americano: a típica gostosona/loira. Mas quando está com o uniforme militar não brinca em serviço. Leslie participa de algumas cenas de luta, em que costuma deixar os homens boquiabertos com o seu “talento”. A atriz tem um grande número de filmes de terror na carreira, incluindo alguns dirigidos por Rob Zombie.

Michael Winslow
Larvell Jones

Conhecido como o “homem dos 10 mil efeitos sonoros”, Winslow faz beatbox e imita praticamente qualquer coisa que exista e se mova. Sua imitação mais famos é a da guitarra de Jimi Hendrix. Participou também – fazendo, claro, vozes – de outro grande sucesso dos anos 1980: Gremlins. Já veio ao Brasil e chegou a se apresentar no programa do Faustão. Hoje faz espetáculos de stand-up comedy pelos Estados Unidos. É o terceiro e último ator dessa lista a participar de todos os filmes da franquia. Com o passar dos filmes, foi se tornando uma das grandes estrelas da Loucademia e ganhou espaço inclusive para improvisar nas cenas – mais de um diretor que passou pela franquia afirmou isso. No último filme, quando se disfarça de barman, ele prepara um drinque com a boca. Cena gerada totalmente na improvisação de Winslow.

Marion Ramsey
Sgt. Hooks

Ramsey participou do 2º ao 6º filme da série. Sua carreira começou com participações em séries de TV e seu único trabalho no cinema que se tornou famoso foi o da Loucademia. Mesmo assim, ela eternizou a figura da policial com voz fininha e toda delicada, mas que resolve situações complicadas que, geralmente, mudam o rumo do filme.

Art Metrano
Comandante Mauser

Metrano fez as vezes de vilão na falta de Bailey – sem o Capitão Harris no 2º e 3º filmes, é o Comandante Mauser que tenta atrapalhar a vida de Lassard, Mahoney e o resto da turma. Ele tem uma atuação mais teatral e participa da cena que talvez seja a mais engraçada de toda a série – quando Mahoney troca seu frasco de shampoo por um de cola rápida e Mauser sai do banho com as mãos coladas na cabeça. Desde 1989, o ator usa cadeira de rodas por conta de um problema na coluna e está afastado das telas desde, pelo menos, 2001.

Bobcat Goldthwait
Zed

Zed é uma das figuras mais non sense de toda a série. Aparece em três filmes: no 2º é o líder de uma gangue que aterroriza a cidade e é presa pela equipe de Lassard. No 3º filme, sem muitas explicações, ele aparece “convertido”: entrou para a polícia e se tornou um agente da lei, situação que se repete no filme seguinte. Golgthwait começou sua carreira no stand-up comedy, que faz até hoje, e tem um estilo de humor ácido. Chegou a abrir shows do Nirvana na última turnê da banda pelos Estados Unidos. É também diretor de TV e de filmes e tem um documentário chamado Call me Lucky em produção e com lançamento previsto para 2015.

Lance Kinsey
Proctor

Proctor é uma figura central nas tramas. Atua do 2º ao 6º filme e é o auxiliar direto do vilão (Harris ou Mauser), uma espécie de escada para as piadas do “chefe”. Muito atrapalhado, tem até um perfil muito próximo do Lassard, também infantil e com piadas bem ao estilo pastelão: trombadas, quedas, piadas mais visuais, etc. Kinsey não tem trabalhos muito famosos fora da Loucademia, mas participou de outras comédias do mesmo estilo, como Loucadeia Federal e Máquina Quase Mortífera.

George R. Robertson
Comissário Hurst

Hurst é quem sempre chama Lassard e sua equipe para as missões e também supervisiona o trabalho. Assim como Kinsey, está do 2º ao 6º filme e tem ótimas atuações. Suas expressões faciais ao se deparar com as trapalhadas dos policiais são ótimas. No fim, quando tudo dá certo, também é ele que aparece para dar os parabéns pelo trabalho realizado.

Menções honrosas

Alguns atores que fizeram pontas ou participaram de apenas um filme da série também merecem ser citados:

Sharon Stone
Bem antes de Instinto Selvagem, participou do 4º filme da Loucademia como a repórter Claire Mattson, que investiga os métodos de trabalho da polícia. Mahoney, como bom malandro, tenta uma aproximação com a moça. Nas cenas excluídas do corte final do filme, Harris também se apaixona pela loira.

Tony Hawk
Também no 4º filme, um grupo de skatistas é perseguido pela polícia logo no comecinho da história. Um deles é Tony Hawk, astro do esporte, que faz uma ponta no filme alguns anos antes de virar nome de jogo de video game.

Christopher Lee
No 7º e último filme da série, Christopher Lee interpreta o chefe da polícia russa que pede apoio para a polícia norte-americana para desmontar a máfia que toma conta de Moscou.

Mussum no YouTubis

No dia 29 de julho completamos 20 anos sem a figura de Antonio Carlos Bernardos Gomes. Ou Mussum, como era nacionalmente conhecido. Fiz um perfil sobre o homem para a revista Rolling Stone e aproveito para publicar abaixo um trecho da matéria que não foi para a revista: os três vídeos do Mussum mais vistos no YouTube.

Mussum tomando leite – 4,6 milhões de views

Mussum chega ao boteco, confiante, com vontade de tomar um copo de… leite. Depois de perguntar por uma grande variedade de leites improváveis, ele desiste e manda um mé mesmo. Detalhe: vindo do samba, ele sempre dava um jeito de citar ou cantarolar alguma música nos seus textos. Aqui, logo no começo, rola uma citação ao samba “Pensamento Verde”, do Branca di Neve. Aquele do “sabe quem perguntou por você? Ninguém!”.

Mussum armando uma pindureta – 3,4 milhões de views

Didi é o dono do boteco e, inicialmente, assiste a um duelo musical entre Mussum e Tião Macalé. Mussum ataca de “Lá no Morro”, do Fundo de Quintal. Já Tião Macalé manda a “importada” “Jenny Jenny”, do Little Richard. Como o nome do vídeo já entrega, Mussum tenta sair sem pagar e a confusão se arma.

Mussum no bar – 2,1 milhões de views

Mussum era um músico exigente. Ao entrar no boteco e se deparar com uma roda de samba bem malformada destruindo “Não Tenho Lágrimas”, composição de Milton de Oliveira e Max Bulhões e famosa na voz de Paulinho da Viola, ele dá um jeito de acabar com o show de horror. Terminado o corretivo, ele inventa uma forma bem peculiar de pedir um mé para viagem.

A reformulação do futebol precisa passar pela imprensa

O ano era 2009. Fui com uma colega para fazer uma pauta no Centro de Treinamento do São Paulo Futebol Clube. O assunto não era diretamente ligado ao futebol, era algo sobre preparo físico e o São Paulo, com seus profissionais e equipamentos de ponta, era uma boa fonte. Ao chegarmos, sentimos um clima estranho: muita movimentação para uma tarde de um dia de semana qualquer, principalmente por parte da imprensa. O motivo: exatamente naquele dia, o então treinador Muricy Ramalho caía e, ainda sem um nome definido, Milton Cruz assumia o time interinamente. A movimentação era por conta do anuncio dessa novidade, que seria feito em instantes.

Milton Cruz foi recebido pelos repórteres que ali estavam com tapinhas nas costas, sorrisos e cumprimentos como “grande professor”, entre outros. E essa cena resume como funciona boa parte da cobertura esportiva, especialmente do futebol, no país. A figura do setorista, esse repórter que vive o dia a dia de um determinado clube, perdeu relevância justamente quando começou a se relacionar demais com o objeto do seu trabalho: o time de futebol. Não estou dizendo que todos fazem isso e nem que isso é exclusividade do jornalismo esportivo. O jornalismo cultural taí para mostrar que também se vive de tapinhas nas costas. A cobertura política, então…

Mas se quisermos cobrar mudanças na CBF, na seleção brasileira e em nosso futebol, essa mudança tem que passar pela imprensa e na forma como cobrimos o esporte. Não é raro vermos repórteres que são amigos de jogadores e dirigentes. Por causa do contato diário, eles acabam cortando essa linha tênue entre a missão de noticiar fatos de um time com a amizade e o coleguismo. Mais uma vez: isso é humano, não é próprio de jornalistas esportivos. A solução: a profissionalização do departamento de imprensa dos clubes e o fim do setorista. O clube solta vídeos, fotos e informações do treino, com acesso geral e irrestrito para toda a imprensa. O Barcelona tem um canal de TV em seu site só pra isso. Alguns clubes brasileiros também investiram em canais de TV, mas não conseguem se livrar dos tais setoristas.

Quando soubermos cobrir o futebol de forma adulta, as cobranças pra cima da seleção também serão mais precisas, sem tantos achismos ou com gente querendo aparecer com suas opiniões polêmicas. Um repórter não precisa ser amigo íntimo do treinador para transmitir informações para seu leitor/espectador/ouvinte. Muito pelo contrário: sendo amigo, ele vai filtrar muito mais o que dizer. E isso não cabe numa modernização ou profissionalização do futebol brasileiro.

Foto: Leonardo Soares/Folhapress