A polêmica: Edi Rock no Caldeirão do Huck

By Marcos Lauro
21/10/2013
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“Ainda to confuso com tudo isso…”

Eu não costumo concordar com xiitas, mas procuro entendê-los.

Sábado, 19 de outubro, Edi Rock, um dos maiores letristas do rap nacional (ao lado de Mano Brown e GOG, em minha opinião), esteve no programa Caldeirão do Huck, da Rede Globo. Semanas antes, quando ele divulgou uma foto da gravação no Facebook, os xiitas já caíram matando. “Como assim, um integrante dos Racionais na Globo?????”, “Traidor!”. No sábado, uma das frases que li na página do Edi Rock foi essa que abre o texto.

E é por isso que eu entendo os xiitas. Não concordo, mas entendo.

Imagina o cara da periferia que passou 20 e poucos anos ouvindo os Racionais dizendo que a Globo mentia, era um lixo e não deveria ser consumida. O saudoso jornal Notícias Populares deu uma matéria com os Racionais e o título era a fala “Nunca vamos aparecer na Rede Globo!”. Sábado, este fã olhou lá e um deles estava cantando, apresentando seu trabalho solo. Claro que causa confusão. E o resultado dessa confusão, de início, é muito xingamento. O diferente e o desconhecido atraem comportamentos violentos.

Isso não é inédito. Quantos músicos já ganharam o apelido de “traidor do movimento”? João Gordo, quando começou a aparecer na TV (sempre ela!), Edgard Scandurra quando uniu sua guitarra aos sons eletrônicos… indo um pouquinho mais longe, Bob Dylan quando trocou seu violão pela guitarra elétrica também teve que ouvir poucas e boas. O próprio Mano Brown, parceiro de Edi Rock, teve sua orelha esquerda esquentada quando fez uma ponta num clipe de funk ostentação.

O que o fã precisa entender – e isso, claramente, nunca vai acontecer – é que tanto o artista quanto o gênero musical da sua preferência não são sua propriedade. O rap não é da periferia. Ele é um dos elementos dela, mas, se quiser realmente se profissionalizar e alçar voos maiores, precisa de mais espaço. A periferia é grande, mas não o bastante para o rap. Aquele artista que acha que sua missão é apenas cantar para a periferia, que siga o seu caminho assim, sem problemas. Mas o que tem ambição, tem os canais para divulgar seu trabalho.

A intenção de alguns artistas do rap agora é maneirar um pouco mais no discurso e fugir do preconceito que parte do público tem do estilo – “só fala em ladrão, não gosta de branco”, etc. Isso, somado à utilização dos meios de comunicação de massa, pode aumentar um pouco mais a área de atuação do rap. Para alguns é uma forma de combater o sistema por dentro. Para outros, é apenas mais uma forma de se ganhar dinheiro – e não há problema algum com isso, já que o artista deve viver e sustentar sua infraestrutura com sua arte.

Esse momento de embate é crítico. É o artista desafiando seu público, testando seus limites. E aguentando também muita crítica baseada na mais pura falta de informação. Edi Rock foi também ao programa Manos e Minas, da Cultura, que trata especificamente da cultura Hip Hop e, mesmo assim, houve um comentário em sua página dizendo que o artista não teria ido ao Manos e Minas e dito sim para o Luciano Huck. Edi Rock (ou alguém de sua equipe) respondeu à crítica apenas postando esse vídeo abaixo, da música “That’s My Way”… no Manos e Minas.

Sim, Edi Rock foi ao Manos e Minas, falar com o “seu” público. Mas foi também ao Caldeirão do Huck mostrar para “outro” público que o rap pode ser menos carrancudo do que costuma ser. A crítica social continua lá, agora ao alcance de mais gente.

Aliás, o xiita aí pode me explicar o que estava fazendo assistindo Caldeirão do Huck?

Foto: reprodução/Facebook Edi Rock

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Comments: 7

  1. Allison says:

    Parabéns Marcos!
    Belo texto.

  2. Leo Maia says:

    só vi isso na segunda feira pós programa.
    e pra falar verdade foi um choque.
    provavelmente será o fim da história desse grupo.
    não precisa ir nesse tipo de midia para o grande publico conhecer …
    a parada é simples – para estar na globo ou qualquer grande midia você vai ser moldado, censurado.
    exemplo: o corte da palavra FUDIDO em Negro Drama. ah mas o horario…fodasse é rede globo que mostra putaria o dia inteiro – ou mudaram por acaso?
    não adianta mais chorar.
    o que vai mostrar se eles se renderam ou não ao sistema vão ser a novas músicas, atitudes, entrevistas…

  3. Kinho jardim brasil says:

    Nós da periferia até q respeitamos as decisões de cada um,mas certas opiniões ñ tem cabimento,o RAP sempre coube na periferia e é da periferia,agora os oportunistas de tais emissoras querem abrir espaço pela queda da audiencia,a manipulação de tudo,canalhas,carniças,de tais emissoras poderiam fazer muito mais em prol de um pais melhor começando pelo poder que tem batendo de frente com a parte politica…mas como se ganha muito pois o governo perdoa certas dividas….passam a mão no governo…..QUE O NOSSO RAP DA PERIFERIA SEJA SEMPRE CRITICO E QUE Ñ NOS DOBREMOS MESMO PARA A RAÇA DO MAL….

  4. diego says:

    estou pasmo,não sei nem o que dizer,só quero lembrar que ele já falou mal da globo na música “na fé firmão”.

  5. Robson says:

    Ridículo!
    Babando no ovo de um lixo como luciano hulk! Você se tornou o que sempre criticou!
    Playboyzinho fresco…..loja de roupa cara e andando com comédia tipo luciano hulk!!!

  6. bee silva says:

    Nossa vey , fiquei triste com essa ..
    Edi Rock amo ele de mas , porém isso não me agradou.. a história dele começou em racionais .. e agora simplesmente acontece isso ..
    :@

  7. Deivisson says:

    Triste, lamentável!
    Pra quem é do rap, para quem acompanhou a caminhada, se deparar com essa judaria é complicado.Tem q fazer rap bom meu, desta forma vai manter seu espaço e não paga pau. Foda se a grande maioria que não curte o som e nem atitude do rap, nosso discurso é o que é! Não é pra playboy balançar o rabo, certo. O brown também ta patifando com umas musiquinhas bem inferior. Vamo resgatar a raiz porra!

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