Marcos Lauro

Jornalista e Locutor

23/04/2012
by Marcos Lauro
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O fiasco do Metal Open Air, versão natimorta do Wacken Rocks Brazil

Por Diana Neves*

Nos últimos meses de 2011, quando começaram os rumores sobre certo festival internacional de metal lá pelos lados inesperados de São Luís, Maranhão, uma pergunta circulava incansavelmente pelas redes sociais: “O Metal Open Air – M.O.A é o Wacken Rocks Brazil?!”

Não, não era. Hoje, depois do fiasco que o M.O.A acabou se revelando, essa resposta volta à minha mente de forma ainda mais evidente. É, não era mesmo…

O Wacken Rocks Brazil deveria ser a versão brasileira do famoso festival alemão Wacken Open Air – W.O.A, que completa 23 anos em 2012. Lembro bem que essa ideia surgiu no backstage da edição de 2008, pois eu estava lá, na Alemanha, na hora do anúncio, e, como boa brasileira fã de música, vibrei. A versão brasileira seria menor, diziam eles, dois dias, talvez apenas um, em comparação aos três dias repletos de eventos da versão alemã. Mas qualquer um que tenha visto a magnitude do W.O.A ficaria bem satisfeito em ter um pedacinho daquilo no seu país. Daí a agitação entre o público brasileiro e boa parte do público da américa latina, quando “teve boatos” de que o M.O.A seria o primo brasileiro do W.O.A.

O Wacken Rocks Brazil acabou nunca acontecendo e, de certa forma, podemos falar o mesmo do M.O.A. Shows cancelados, falta de comida, situações precárias para acampar e assaltos foram as atrações que recepcionaram os fãs que se deslocaram até o evento, não os prometidos três dias de diversões em meio às bandas preferidas.

Confesso que até esperava alguns problemas no M.O.A, tanto que não me aventurei a ir, embora meu irmão, vários amigos e companheiros de Wacken tenham ido, mas nada tão grave quanto o que acabou ocorrendo.

Achei preocupante que só no final de 2011 tenham começado a organizar o evento e escalar as bandas para um festival que ocorreria em abril de 2012, enquanto que, no Wacken, as entradas do próximo ano começam a ser vendidas logo após o término da edição, pois tudo já está arranjado. E as entradas esgotam em poucos meses, mesmo sem todas as bandas confirmadas. Essa é a credibilidade do evento. Bem, achei preocupante, mas não que não pagariam as bandas.

Também achei que a ideia do camping teria seus problemas, pois mesmo no W.O.A o banheiro ficava entupido boa parte do dia, a área de banho não era um sonho e a chuva tornava tudo mais difícil, mas nós não acampávamos no meio do esterco, não tomávamos banho em bebedouros de animais e, embora minha barraca não tivesse um cadeado sequer e eu acabasse sempre esquecendo minhas botas do lado de fora, nada foi roubado, além de, durante todo o festival, não ter visto uma briga sequer.

As opções de comida também não agradariam a mãe de ninguém, mas certamente você poderia escolher, do salsichão alemão ao yakisoba, com direito a cappuccino para quem cansasse da cerveja alemã (quem, Santo Deus?). No M.O.A, segundo relatos de amigos, o único momento de fartura foi quando o pessoal do stand da Pizza Hut® abandonou o local, deixando para trás vários pedaços de pizza que foram devidamente devorados.

Isso para citar poucos problemas. E sim, todos sabem que não dá para nascer com a experiência de “alguém” de 23 anos, mas é revoltante ver que, mais do que maturidade, desta vez faltou uma boa dose de vergonha na cara dos produtores desse evento que, tal qual crianças, agora trocam acusações em redes sociais enquanto esperam que seus erros, assim como seu evento, acabem em Pizza Hut.

* Diana Neves é uma amiga de Fortaleza que mora no Rio de Janeiro. Sabendo da sua vivência no festival Wacken Open Air, um dos maiores do metal, pedi para que ela escrevesse sobre sua experiência de ir num festival de verdade, organizado por gente competente e que é do ramo. Quanta diferença, não?

22/04/2012
by Marcos Lauro
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Sim, é possível

A noite de São Paulo me dá um nó na cabeça. Mas um nó tão grande que eu acho mais fácil optar por não sair, às vezes. São tantas as alternativas que um bom filme na TV ou um jantarzinho com a patroa/família cai melhor do que fila pra entrar, fila pra sair, ambientes cheios e demais etcéteras.

Mas São Paulo teve um lugar que não me deixava dúvidas: Apê 80.

O Apê 80 foi uma experiência única em São Paulo. Uma cobertura duplex na Peixoto Gomide, região do baixo Augusta, que virava uma balada.

Muita gente morou por lá. Mas acho que posso chamar de “núcleo duro”: Junior Bellé, Pablo Marcondes (o Urso), Luis Rodolfo Lopes e Felipe Garret, que foram os que ficaram mais tempo na morada.

Posso contar, por cima (porque é uma cobertura, afinal), umas 40 pessoas envolvidas de alguma forma com os eventos: dando idéias, produzindo, decorando o ambiente, tocando, ficando na porta, limpando o banheiro, dando uma força no bar… o trabalho era coletivo e cada um fazia o que estava ao seu alcance.

Produzi, com o meu camarada e parceiro de Sambarbudo Project, Pedro Henrique Araújo, alguns shows no Apê 80. Não me lembro de quantos e nem do primeiro, mas alguns nomes que levamos ao Apê: Los Porongas (acrianos residentes em São Paulo), Los Pirata (com André Abujamra de convidado surpresa, tão surpresa que nem a gente sabia), os argentinos do Violentango, Pélico, Bárbara Eugênia, e Rogerio Skylab, entre muitos outros.

E todos os artistas, sem exceção, vieram falar depois da vibração diferente que existia no Apê 80.Afinal, não era uma balada, com todos aqueles problemas inerentes à uma baldas. Era uma casa, um apê. E tal qual uma casa, todos eram bem recebidos e não tinha estresse. Os (pouquíssimos) problemas que pintavam eram resolvidos ali, na conversa e na tranqüilidade. Sempre vai ter um sem noção que vai ultrapassar algum limite, em qualquer lugar.

Rogerio Skylab me confidenciou que nunca tinha tocado suas músicas escatológicas e impactantes tão perto da sua audiência. Afinal, o Apê 80 não tinha palco e as bandas tocavam numa espécie de sala que havia no segundo andar. Skylab cantava e olhava nos olhos dos seus ouvintes numa proximidade de aterrorizar. Ele e a platéia.

Os artistas sempre se sentiam à vontade para chamar participações especiais. E isso acabou, sem querer, se tornando quase que uma regra. Em, sei lá, 80% dos shows houve alguma participação, por mínima que fosse. No dia dos Los Pirata, por exemplo, foi muito bom ver o André Abujamra chegando, com sua guitarrinha nas costas, esbaforido porque o show já havia começado.

Por isso que o Curumin se sentiu tão a vontade que, nas duas vezes em que tocou no Apê, fez shows de quase três horas de duração.

Essa era a vibe do Apê 80.

Na verdade, essas cerca de 40 pessoas têm todo o direito de se sentirem um pouco donas do negócio. Não haveria como receber um público de mais de 100 pessoas num apê sem mínimo de preparação e de estrutura.

Com o tempo, o Apê 80 foi mudando, o que é normal em todo negócio, principalmente num negócio que não seguia regras mercadológicas. O que importava ali era a reunião entre amigos e os bons sons. Depois que algumas pessoas saíram do apê, acabei me afastando da produção e acho que nem voltei lá somente como platéia. Mas o que fica na memória é: sim, é possível juntar gente interessada e interessante e fazer um baita barulho, unindo música nova e boa com uma vibe que – me perdoem, promotores e eventos – nunca vai se repetir.

Vida longa ao Apê 80. RIP Apê 80.

09/04/2012
by Marcos Lauro
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Foo Fighters, Joan Jett e a geração Guitar Hero

ATENÇÃO: Esta é uma resenha-de-sofá. Ou uma não-resenha. O autor do texto não esteve presente no local do acontecimento dos fatos, não testemunhou nem ouviu testemunhas, não sentiu a vibe, não pirou e nem pegou fila para ir ao banheiro. Portanto, se os sintomas persist… ops, troquei o aviso.

Acabei de ver o show do Foo Fighters no Lollapalooza do último sábado. Via YouTube.

Por 2h35 a banda do cara mais gente boa do rock, Dave Ghrol, mandou ver nos seus hits. Um show longo e cansativo, mas bom.

E fugindo de tudo o que já foi discutido, da muvuca que é um festival, do caos e de todas as coisas que fazem os velhos (como eu!) não saírem de suas casas, vamos direto à convidada especial do show: Joan Jett.

Figura fácil nas rádios classic rock, Joan Jett é umas das inúmeras heroínas das mulheres na cena. Ela, que também tocou com sua banda no festival, foi convidada para tocar a dobradinha “Bad Reputation” e “I Love Rock ‘n’ Roll”, dois hits de sua carreira.

E o interessante é perceber que grande parte da geração que é fã dos Foo Fighters mal viu Nirvana, quanto mais Joan Jett, que brilhou muito no começo da década de 1980. O maior hit, “I Love Rock ‘n’ Roll”, alcançou o topo da parada da Billboard e por lá ficou por quase dois meses em 1982.

A música foi incluída num dos trocentos Guitar Hero. Eu cheguei a jogar algumas vezes e achei bem fácil. Uma das mais fáceis, aliás.

Dave Ghrol, meio que sem querer, acabou promovendo um encontro no palco do Jóquei Clube. Uma estrela do classic rock e uma geração que a conheceu de um modo até então impensável: por meio de um jogo de videogame. Muitos dos que estavam ali jogaram “I Love Rock ‘n’ Roll” e também devem ter achado fácil. Provável até que tenham enjoado um pouco da música. E aí Ghrol coloca um pouco da história do rock ali, na frente de dezenas de milhares de pessoas.

Pela reação do público, a participação foi aprovada. O Guitar Hero e o David Ghrol cumpriram sua função e mais uma estrela importante do rock ‘n’ roll tem seu nome eternizado na mente de uma geração que não pode vê-la no auge.

17/03/2012
by Marcos Lauro
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Afinal, o que é o progresso, São Paulo?

Um dos sinônimos de progresso é desenvolvimento. Quando uma determinada área se desenvolve, chegam os comércios, residências, indústrias… de preferência, o ramo que mais for compatível com a vocação do lugar. Mas fica a dúvida: o progresso tem limite?

São Paulo vive uma explosão imobiliária talvez nunca vista. Além da especulação – e conseqüente aumento de preços – dos imóveis que já existes, há um sem número de obras que erguem torres residenciais e comerciais pela cidade.

Se junta a essa discussão o trânsito da cidade, que já beira o insuportável e, em breve, pedirá medidas drásticas. A idéia do pedágio urbano, para entrar de carro no centro de São Paulo, nunca foi totalmente descartada.

Na última semana, o Tribunal de Justiça suspendeu a inauguração de um shopping Center na esquina das avenidas Juscelino Kubitschek e Nações Unidas. A construtora não realizou algumas obras que serviriam para que o shopping não deixasse o trânsito tão ruim no local. Afinal, são mais 190 lojas “aparecendo” ali, o que geraria um tráfego maior do que o que já existe num local que já tem o trânsito travado todas as tardes.

Projeto parecido está começando a ser erguido na avenida Paulista. Um shopping com uma torre comercial em cima, no terreno onde ficava o casarão dos Matarazzo, altura do número mil. Agora, vamos pensar: hoje, num dia de trânsito ruim, já é difícil percorrer toda a avenida de carro em menos de uma hora, principalmente no sentido Consolação (lado onde será o tal shopping Center). Imagine agora este mesmo cenário com mais um prédio no meio da avenida, gerando tráfego.

O que faltou nesse caso foi noção do poder público, que autorizou uma obra desse porte numa avenida que não comporta mais gente. Isso sem falar no metrô e sua linha verde, que é impraticável nos finais de tarde.

Progresso não é necessariamente um amontoado de obras. Progresso não atenta contra a qualidade de vida. Ou, pelo menos, não deveria. São Paulo anda numa tendência tão gananciosa que em breve não haverá mais espaço para obras. Inventarão o “prédio-sobre-prédio” ou coisa que o valha. E se isso for progresso, eu quero ser jeca.

22/08/2011
by Marcos Lauro
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Táxis no Rio de Janeiro: aventuras por um terreno desconhecido

Longe de mim fomentar a ridícula rivalidade Rio-São Paulo. Mas após passar um fim de semana inteiro na terra de São Sebastião, pude identificar um ponto em que os cariocas precisam melhorar – e muito –, talvez aprendendo com os paulistanos: táxis!

Tenho até vergonha de dizer: nunca tinha ido à cidade do Rio de Janeiro. Na verdade, passei por lá duas vezes: na primeira, literalmente passei (pela Rio-Niterói a caminho da Região dos Lagos); na segunda, fiquei pouco mais de 24h para um trabalho. Não contou. Mas neste final de semana, tirei o atraso: fui na sexta à tarde e voltei na segunda pela manhã.

Fiquei em Santa Teresa, bem no pé do morro. Mas era só dizer o destino para o taxista que ou ele dizia que o carro estava ruim e não poderia subir ou então levava e demonstrava a maior má vontade do mundo ao chegar no ponto final da viagem.

Claro que eu não defendo totalmente os taxistas paulistanos. É uma das maiores reuniões de reacionários que podem existir. É fácil ouvir comentários do tipo “tem que matar bandido mesmo” ou então frases com conteúdo homofóbico numa corrida rápida. É só dar corda. Mas para desempatar esse jogo, um exemplo: os aeroportos.

O ponto de táxis no aeroporto Santos Dumont, no Rio, é uma completa bagunça. Taxistas brigam, discutem uns com os outros aos berros para não “rodar” – que é o que acontece quando não tem mais vagas para o carro parar e ele tem que sair do aeroporto sem pegar passageiro. Enquanto isso, o turista (ou seja lá o que for) fica meio que sem saber para onde ir. Sem contar que a malandragem impera na hora de escolher o caminho e cobrar a corrida – coisas que não aconteceram comigo porque dei uma olhada rápida no Google Maps antes, para já saber o caminho mais rápido.

Como contraponto, os táxis em Congonhas, São Paulo. Na volta, a fila estava muito grande. Mas nada que cinco minutos não resolvessem. Aqui, a fila anda (aliás, ela existe, organizada, coisa que não vi no aeroporto do RJ). Abre-se a porta do táxi, se diz o destino, liga-se o taxímetro e pronto, sem segredos ou muitos cuidados.

Uma cidade que sediou Jogos Pan-Americanos e sediará as Olimpíadas em breve deve fazer uma reciclagem em seus profissionais de praça urgentemente. Para que pelo menos isso não seja motivo de vergonha – além dos muitos outros, estruturais, que têm todo o potencial para ser.